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Origem do nome · Embu-Guaçu

Embu-Guaçu é "cobra grande" — e sua água chega à torneira de milhões de paulistanos

A cidade nasceu do dote de casamento de uma menina de 16 anos. Teve estação de trem até 1997. E o rio que leva seu nome abastece a maior represa da zona sul de São Paulo.

· 5 min de leitura

Vista de Embu-Guaçu

Embu-Guaçu é uma das cidades mais discretas da Grande São Paulo.

E é uma das mais importantes — por um motivo que a maioria dos paulistanos desconhece completamente: a água deles passa por aqui.

Cobra grande

O nome original era M'Boy-Guaçu, de origem indígena.

M'Boy é cobra. Guaçu é grande.

Cobra grande.

É o mesmo M'Boy que batizou Embu das Artes, a cidade vizinha. As duas são parentes de nome e de história, separadas por uma emancipação.

Há também uma leitura alternativa que associa "Embu" a uma planta nativa da região, com "guaçu" mantendo o sentido de grande. As duas versões convivem.

E há ainda um nome anterior: a região teria sido chamada de Ilha de Itararé — porque a quantidade de rios dava a impressão de que aquilo era uma grande ilha fluvial.

Ilha de rios. É uma imagem exata do que o lugar é.

A menina de 16 anos que ganhou a cidade de presente

Esta é a história mais surpreendente de Embu-Guaçu, e ela tem nome e sobrenome.

Emília Pedrozo de Moraes nasceu em 1849, em Itapecerica da Serra.

Era filha do capitão Manoel José de Moraes, fazendeiro próspero e comerciante de tropas.

Casou-se aos 16 anos com José Pires de Albuquerque, também tropeiro.

E como parte do dote de casamento, recebeu extensas terras da Fazenda da Ilha (ou Itararé), na margem direita do rio Embu-Guaçu.

A história do município está diretamente ligada a essa mulher e a essas terras.

Uma adolescente de 1865 recebe um pedaço de chão como presente de casamento. Cento e sessenta anos depois, aquele chão é uma cidade de mais de 70 mil pessoas.

A estação que fechou em 1997

A estação ferroviária de Embu-Guaçu foi inaugurada em 5 de abril de 1934 e atendeu ao transporte de passageiros até novembro de 1997.

Sessenta e três anos de trem.

Muita gente que mora na cidade hoje pegou aquele trem. É memória viva, não arqueologia.

E o encerramento do serviço de passageiros mudou a vida de quem dependia dele — como aconteceu em dezenas de cidades paulistas na mesma década.

A água que abastece a zona sul

Aqui está o fato que dá a Embu-Guaçu uma importância desproporcional ao seu tamanho.

A Represa de Guarapiranga fica entre a zona sul de São Paulo e os municípios de Itapecerica da Serra e Embu-Guaçu, e fornece água potável para mais de 4 milhões de pessoas.

E os principais tributários dela são o rio Embu-Guaçu e o rio Embu-mirim.

Leia com atenção: o rio que dá nome a esta cidade é uma das principais fontes de água de uma represa que abastece 4 milhões de paulistanos.

A construção da represa começou em 1906, com investimento da Companhia Light.

Isso significa que Embu-Guaçu é uma cidade de manancial — com todas as regras, restrições e responsabilidades que isso implica. A cidade não pode crescer como as vizinhas, porque a água de milhões de pessoas depende do que se faz com esse solo.

É um peso que a cidade carrega em silêncio há mais de um século.

Emancipação em 1959

Embu-Guaçu foi elevada à categoria de município em 1959, quando se emancipou de Itapecerica da Serra — no mesmo ano em que Taboão da Serra também se separou.

Durante o século XIX, a cidade se desenvolveu com agricultura e extração de madeira, com destaque para o café.

A cidade que a Grande SP esqueceu

Embu-Guaçu é uma cidade de área grande e população espalhada, com muitos bairros distantes do centro e trechos de zona rural preservada.

Isso torna difícil, na prática, saber quem faz o quê e onde.

Este guia resolve isso: o guia completo de Embu-Guaçu, mercados e alimentos, construção e reforma, saúde e serviços e profissionais.

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Fatos rápidos

  • O nome significa "cobra grande", do tupi M'Boy-Guaçu.
  • A região já foi chamada de Ilha de Itararé, por causa dos muitos rios.
  • A cidade está ligada ao dote de casamento de Emília Pedrozo de Moraes, casada aos 16 anos.
  • A estação de trem funcionou de 1934 a 1997.
  • O rio Embu-Guaçu é um dos principais tributários da Represa de Guarapiranga.
  • A represa abastece mais de 4 milhões de pessoas.
  • Emancipou-se de Itapecerica da Serra em 1959.

O que fica

Uma ilha feita de rios. Uma cobra grande no nome. Uma menina de 16 anos que recebeu terras de presente. Uma estação de trem que funcionou por 63 anos.

E, atravessando tudo isso, a água.

A água que sai do rio que tem o nome da cidade, entra na represa e chega, sem que ninguém pense a respeito, na torneira de milhões de pessoas que nunca ouviram falar de Embu-Guaçu.

É a cidade mais silenciosamente essencial da Grande São Paulo.

Embu-GuaçuHistóriaGuarapirangaTupi-guarani

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