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Origem do nome · Itapecerica da Serra

A pedra que batizou Itapecerica ainda está lá — com casas construídas em cima

O nome da cidade nasceu de um tombo. E a pedra lisa da lenda pode ser vista até hoje, parcialmente, numa rua perto do Largo da Matriz.

· 4 min de leitura

Vista de Itapecerica da Serra

A maioria das lendas de fundação de cidade é séria: um santo, uma aparição, uma batalha.

A de Itapecerica da Serra é sobre alguém escorregando.

E o melhor: a pedra do tombo ainda existe.

Ita! Pecerica!

O nome vem do tupi-guarani:

  • ita — pedra
  • pecerica (ou pycyryca) — lisa, escorregadia

Pedra lisa. Pedra escorregadia. Originalmente escrito "Itapycyryca".

A lenda conta que dois índios caminhavam sobre uma grande pedra no que hoje é o centro da cidade, quando um deles escorregou e exclamou:

— Ita!

E o outro respondeu:

— Pecerica!

Dois gritos. Um tombo. E um nome que dura séculos.

Não há como saber se aconteceu exatamente assim — lenda é lenda. Mas o significado é sólido: pedra escorregadia. E existe uma pedra escorregadia.

A pedra está lá até hoje

Esta é a parte que quase ninguém sabe, nem quem mora na cidade.

A enorme pedra lisa ainda pode ser vista parcialmente na Rua Henrique Soter Fernandes, perto do Largo da Matriz — onde várias construções foram erguidas sobre ela.

Leia de novo: construíram casas em cima da pedra que deu nome à cidade.

Não é uma crítica. É apenas muito humano. A pedra estava ali, era firme, servia de fundação. Alguém construiu. Depois alguém construiu ao lado. E o marco fundador do nome do município virou base de alicerce.

Se você passar por ali, vale procurar. Está ali, embaixo, aparecendo em pedaços.

Uma capela com 900 pessoas em 1689

Em 1689, a Capela de Itapecerica já reunia mais de 900 pessoas sob a proteção do jesuíta Diogo Machado.

Novecentas pessoas, no fim do século XVII, no planalto paulista. Era um lugar grande para a época.

No século XVII, o aldeamento cresceu com a chegada de índios trazidos de Carapicuíba por Afonso Sardinha, sertanista e proprietário da Fazenda Ubatatá — onde hoje é o Butantã.

Esses índios foram orientados pelo padre jesuíta Belchior de Pontes — o mesmo padre que aparece na lenda de fundação de Embu das Artes.

As cidades desta região são todas parentes, e frequentemente pelos mesmos personagens.

Os alemães de 1827

Em 1827, o Governo Imperial criou aqui uma colônia para incentivar a atividade agrícola, e nela se radicaram imigrantes alemães.

É um capítulo pouco lembrado. Antes dos italianos, antes dos japoneses, antes da migração nordestina que formaria boa parte da região metropolitana, houve uma colônia alemã em Itapecerica.

Vila em 1877, "da Serra" em 1944

Itapecerica foi elevada à categoria de vila pela Lei Provincial nº 33, de 8 de maio de 1877 — quando o município foi criado.

E em 1944 acrescentou-se ao nome a partícula "da Serra", por dois motivos: em alusão à topografia e para distinguir a cidade do município mineiro de mesmo nome.

A cidade-mãe da região

Aqui está um fato que dá dimensão à importância histórica de Itapecerica.

Dela se emanciparam, ao longo do tempo:

  • Taboão da Serra (1959)
  • Embu-Guaçu (1959)
  • Juquitiba (1964)
  • São Lourenço da Serra (1992)

Quatro cidades. E duas delas carregam "da Serra" no nome justamente em homenagem à cidade-mãe.

Itapecerica é o tronco de boa parte do sudoeste da região metropolitana. Ela foi ficando menor no mapa à medida que a região foi ficando maior.

A cidade de hoje

Itapecerica da Serra tem mais de 170 mil habitantes, um território extenso e bairros que ficam longe uns dos outros — muitos deles em área de manancial, com regras próprias de ocupação.

Achar um serviço específico fora do seu bairro é genuinamente difícil.

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O que fica

Alguém escorregou numa pedra e gritou.

O grito virou o nome de um aldeamento. O aldeamento virou capela. A capela virou vila. A vila virou município. E o município virou mãe de quatro cidades.

A pedra continua ali, na Rua Henrique Soter Fernandes, com casas em cima.

É o marco fundador mais discreto da Grande São Paulo — e provavelmente o único que virou alicerce de garagem.

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