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Origem do nome · Cotia

Cotia tem nome de bicho — e uma cooperativa japonesa que virou gigante internacional

O nome vem de um roedor que os indígenas criavam como bicho de estimação. E de um armazém no Moinho Velho, em 1928, saiu uma das maiores cooperativas agrícolas da história do Brasil.

· 4 min de leitura

Vista de Cotia

Cotia é uma das cidades mais visitadas da Grande São Paulo — pela Granja Viana, pela Raposo, pelos restaurantes de estrada, pelos condomínios.

E carrega um nome que vem de um bicho pequeno, com cara de coelho sem orelha, que os indígenas criavam em casa.

A cutia

A versão mais lembrada da origem do nome aponta para os mamíferos roedores chamados kutis — as cutias — que eram considerados animais de estimação pelos indígenas.

Existe uma versão alternativa, também de raiz indígena, que associa o nome à sinuosidade dos caminhos da região, que lembravam os trajetos tortos que a cutia faz ao andar.

As duas versões se encontram no mesmo bicho. E as duas fazem sentido para quem já dirigiu pelas estradas da região: a Raposo velha, as vicinais, os acessos de bairro. Nada aqui é reto.

Antes de ser cidade, era um pouso

A história de Cotia começa no início do século XVIII, quando a região servia de refúgio a viajantes que iam explorar o interior de São Paulo e a região Sul.

O município teve origem como pouso de tropeiros e dos animais de carga que transportavam mantimentos.

É importante entender o que era um pouso: não era hotel nem restaurante. Era o lugar onde as tropas paravam para dormir, dar água aos animais e trocar informação sobre a estrada adiante.

Cotia nasceu como parada. E, de certo modo, continua sendo: quem vai para o interior por Cotia até hoje encontra ali o último lugar bom para parar antes da estrada de verdade.

As datas

2 de abril de 1856 — elevada à categoria de Vila.

19 de dezembro de 1906 — elevada à condição de cidade, com a denominação de Cotia.

Cinquenta anos entre uma coisa e outra.

1913: chegam os japoneses

Em 1913, a cidade começou a receber os primeiros imigrantes japoneses.

Eles trouxeram algo que a região não tinha: técnica agrícola.

Não era só trabalhar a terra — era saber rotacionar cultura, tratar solo, selecionar semente, organizar a produção. A chegada deles provocou o que os registros chamam de uma evolução técnico-rural.

E dessa evolução saiu uma das instituições mais importantes da história econômica de São Paulo.

A Cooperativa Agrícola de Cotia

Em 1928, no bairro do Moinho Velho, nasceu a Cooperativa Agrícola de Cotia.

Começou pequena, como toda cooperativa começa: um grupo de produtores decidindo comprar junto e vender junto.

Alguns anos depois, ela tinha se transformado numa empresa poderosa e rentável, de importância internacional.

Vale repetir isso devagar. Um grupo de agricultores imigrantes, num bairro rural de Cotia, criou uma organização que chegou a ter peso no comércio agrícola mundial.

A cooperativa não existe mais na forma original. Mas o nome "Cotia" circulou pelo mundo por décadas por causa dela — muito antes de a cidade ser conhecida por condomínio ou por restaurante de estrada.

A cidade de muitas cidades

Cotia é grande e desconjuntada. Tem o centro histórico, a Granja Viana (que funciona quase como uma cidade própria), os bairros rurais, os condomínios, os distritos que ficam a vinte minutos uns dos outros.

Isso torna difícil, na prática, saber o que existe onde. Você conhece o comércio do seu lado e desconhece o resto.

Este guia junta tudo num lugar só: o guia completo de Cotia, bares e restaurantes, mercados e alimentos, pet e agropecuária e serviços e profissionais.

Endereço, telefone e mapa de cada estabelecimento. Sem cadastro e sem nota inventada.

Fatos rápidos

  • O nome vem da cutia, roedor criado como bicho de estimação pelos indígenas.
  • Há uma versão que liga o nome aos caminhos sinuosos da região.
  • A cidade nasceu como pouso de tropeiros, no século XVIII.
  • Virou vila em 1856 e cidade em 1906.
  • Recebeu os primeiros imigrantes japoneses em 1913.
  • A Cooperativa Agrícola de Cotia foi fundada em 1928, no Moinho Velho.

O que fica

Um bicho pequeno que andava torto pelo mato deu nome a um lugar de passagem.

O lugar de passagem virou pouso. O pouso virou vila. A vila virou cidade.

E então, em 1928, um grupo de imigrantes fundou num bairro rural uma cooperativa que levaria o nome daquele bicho para o comércio agrícola do mundo.

Não é todo dia que um roedor tímido chega tão longe.

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