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Origem do nome · Mauá

Mauá se chamava Pilar e virou a capital nacional da porcelana

A cidade leva o nome do maior empreendedor do Império brasileiro — que comprou uma fazenda ali para acompanhar as obras da ferrovia. E a praça principal tem nome de data de plebiscito.

· 4 min de leitura

Vista de Mauá

Mauá é o único município da Grande São Paulo batizado com o nome de um empresário.

Não de um santo. Não de um rio. Não de um cacique. De um empreendedor — provavelmente o maior que o Brasil teve no século XIX.

E, como quase tudo por aqui, o nome atual não é o primeiro.

Antes, era Pilar

A origem da cidade está ligada às fazendas instaladas no entorno da Capela de Nossa Senhora do Pilar, entre os séculos XVII e XVIII.

Por isso o primeiro nome foi Pilar.

Ele durou até 1926, quando foi alterado para Mauá.

Quem foi o Barão de Mauá

Irineu Evangelista de Souza nasceu em Arroio Grande, no município de Jaguarão, no Rio Grande do Sul.

Ele não nasceu nobre. Conquistou o título por seus feitos durante o período imperial — foi barão e depois visconde.

Foi banqueiro, industrial e político. Construiu ferrovia, estaleiro, banco, companhia de iluminação a gás. Financiou obras que o Estado brasileiro não tinha fôlego para bancar.

E em 1882 comprou uma fazenda nesta região — para acompanhar as obras da ferrovia que atravessaria a Serra do Mar.

Ou seja: ele esteve aqui. Não é homenagem de gabinete.

A região já despertava interesse, mas o impulso definitivo veio com a construção da estrada de ferro Santos-Jundiaí, em 1887.

O significado tupi

Há ainda uma camada extra no nome.

"Mauá", em tupi-guarani, costuma ser traduzido como "elevado" — o que se entende como cidade elevada, cidade alta.

Então o nome funciona nos dois sentidos ao mesmo tempo: homenageia um homem que subiu do nada ao topo, e descreve um lugar em altitude.

Poucas homenagens são tão bem escolhidas por acidente.

A capital nacional da porcelana

Aqui está o título que quase ninguém associa mais à cidade.

Mauá foi a capital nacional da porcelana, com inúmeras indústrias cerâmicas e olarias.

Se a sua avó tinha um jogo de xícaras "de louça boa", há uma chance concreta de ele ter saído daqui.

O barro da região — o mesmo que abasteceu as olarias de meia Grande São Paulo — aqui virou coisa fina: prato, xícara, isolador elétrico, peça sanitária.

Foi uma economia inteira, com gerações de famílias trabalhando nela.

A praça com nome de data

A principal praça da cidade se chama Praça 22 de Novembro.

O nome homenageia a data do plebiscito de 1953 em que não apenas Mauá, mas também Ribeirão Pires, se emanciparam.

É uma escolha reveladora. Muita cidade batiza a praça central com nome de fundador ou de político. Mauá batizou com o dia em que as pessoas votaram.

A praça central da cidade é um monumento a uma urna.

Uma cidade que trabalhou muito

Mauá tem mais de 400 mil habitantes, faz parte do ABC e carrega a história industrial da região inteira: cerâmica, petroquímica, metalurgia, logística.

E, como toda cidade assim, tem uma segunda economia rodando em volta: o comércio de bairro que atende quem sai do turno.

É essa parte que este guia organiza. São milhares de estabelecimentos de Mauá com endereço, telefone e mapa, buscáveis por categoria e por distância.

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Fatos rápidos

  • A cidade se chamou Pilar até 1926.
  • O nome vem do Barão de Mauá, Irineu Evangelista de Souza.
  • Ele comprou uma fazenda na região em 1882.
  • "Mauá" em tupi-guarani significa "elevado".
  • A cidade foi a capital nacional da porcelana.
  • A Praça 22 de Novembro lembra a data do plebiscito de 1953.

O que fica

Um gaúcho que não nasceu nobre virou o maior empreendedor do Império.

Comprou uma fazenda no caminho da ferrovia que iria vencer a Serra do Mar.

Décadas depois, o lugar trocou o nome de uma santa pelo dele.

E o lugar então fez uma coisa que combina perfeitamente com essa história: pegou o barro que tinha debaixo dos pés e transformou em porcelana.

Mauá é uma cidade que sempre soube transformar o que tinha à mão em outra coisa. Está no nome.

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