Origem do nome · Osasco
O homem que recusou dar o próprio nome a Osasco — e batizou a cidade com uma saudade
Ofereceram a Antonio Agù a chance de eternizar o próprio sobrenome numa estação de trem. Ele disse não, e escolheu o nome de um vilarejo italiano que tinha deixado aos 13 anos.
A maior parte das cidades brasileiras tem nome de santo, de índio ou de político.
Osasco tem nome de saudade.
E existe uma cena, em 1895, que explica isso melhor do que qualquer aula de história.
A oferta que ele recusou
Os dirigentes da Estrada de Ferro Sorocabana queriam batizar a nova estação com o nome do principal empreendedor da região. O homem que tinha comprado a olaria do quilômetro 16 e transformado aquele pedaço de mato num lugar com gente, trabalho e movimento.
O nome dele era Antonio Giuseppe Agù.
Ele agradeceu e disse que não.
Pediu que a homenagem não fosse para ele — e sim para a cidade onde tinha nascido, na região do Piemonte, na Itália.
Osasco.
Quem era Antonio Agù
Nasceu em 25 de outubro de 1845, no povoado italiano de Osasco.
Chegou ao Brasil em 1858. Tinha treze anos.
Trabalhou numa ferrovia. Trabalhou num engenho no interior paulista. Em 1872, mudou-se para a cidade de São Paulo atrás de negócio próprio.
E então comprou uma olaria no quilômetro 16 da Estrada de Ferro Sorocabana — no lugar onde hoje funciona a Estação Osasco.
De lá em diante, a região não parou mais de crescer. Comerciantes conhecidos e indústrias importantes foram se instalando em volta.
Pense na trajetória: um menino de treze anos desembarca sozinho num país que não é o dele, trabalha em ferrovia e engenho, junta dinheiro, compra um forno de tijolo — e o lugar em volta desse forno vira uma das maiores cidades do estado.
Por que a recusa dele é tão significativa
É fácil ler essa história como modéstia. Ela é mais do que isso.
Agù tinha 50 anos em 1895. Tinha saído de Osasco aos 13. Nunca mais tinha morado lá.
Quando surgiu a chance de escrever alguma coisa no mapa para sempre, ele não escreveu o próprio nome. Escreveu o nome de casa.
Existe uma cidade inteira no Brasil, com mais de 700 mil pessoas, chamada assim porque um imigrante sentia falta de um vilarejo do Piemonte.
A emancipação foi uma briga feia
Osasco levou dez anos para conseguir se separar de São Paulo.
As primeiras manifestações pela emancipação começaram em 1952. O movimento enfrentou resistência, contraposições, empecilhos — e um plebiscito descrito nos registros da época como conturbado.
Só em 19 de fevereiro de 1962 a cidade conseguiu a emancipação político-administrativa.
Dez anos de campanha. Para uma cidade que, hoje, é uma das maiores do estado e tem PIB de sobra para sustentar a própria estrutura.
O primeiro prefeito era filho de armênios
O primeiro prefeito de Osasco foi Hirant Sanazar, filho de imigrantes armênios.
Repare no conjunto: uma cidade batizada por um italiano, emancipada depois de uma década de briga, e governada primeiro por um descendente de armênios.
Osasco é, desde a fundação, uma cidade feita por gente que veio de longe. Isso não é discurso de aniversário de cidade — está na certidão de nascimento dela.
Cinco coisas para saber sobre Osasco
- A cidade tem nome de uma comuna italiana no Piemonte, com poucos milhares de habitantes.
- Ela nasceu em volta de uma olaria e de uma estação de trem.
- Levou dez anos brigando para se emancipar de São Paulo.
- Ficou independente em fevereiro de 1962 — é mais jovem que muito prédio do centro dela.
- O fundador teve a chance de virar o nome da cidade e recusou.
Uma cidade grande demais para conhecer inteira
Osasco tem mais de 700 mil habitantes num território pequeno. É densa, movimentada, cheia de comércio de rua.
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O que fica
Em 1895, num quilômetro 16 de uma ferrovia, um homem de 50 anos recusou a chance de ser eterno.
Preferiu escrever no mapa do Brasil o nome de um lugar do outro lado do oceano, onde tinha sido criança e para onde talvez nunca mais tenha voltado.
Toda vez que alguém diz "eu sou de Osasco", está repetindo, sem saber, a saudade de Antonio Agù.
É o tipo de coisa que faz um nome valer a pena.
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