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Origem do nome · Barueri

"Flor vermelha que encanta" é lenda: o nome de Barueri quer dizer outra coisa

A tradução bonita que circula há décadas está errada. O nome real fala de pedra, corredeira e obstáculo no rio — e o bairro mais famoso da cidade foi batizado por um filme francês.

· 4 min de leitura

Vista de Barueri

Se você mora em Barueri, já ouviu isso em algum lugar: que o nome da cidade significa "flor vermelha que encanta".

Está em post de rede social, em trabalho escolar, em placa, em discurso de vereador.

E é falso.

O que o nome realmente quer dizer

A versão sustentada pelos registros é bem menos romântica e bem mais interessante.

Barueri deriva da mistura da palavra francesa barrière (barreira, obstáculo) com o vocábulo indígena mbaruery (rio encachoeirado).

O significado é, portanto: barreira que encachoeira o rio.

Faz sentido geográfico. A área ficava na bifurcação do Anhembi — que era como se chamava o rio Tietê.

Ou seja: o nome descreve o lugar onde a água batia em pedra e virava corredeira. É um nome de navegação, feito por quem precisava saber onde o barco não passava.

E a expressão "flor vermelha que encanta" não corresponde a nada em tupi-guarani.

É bonita. Não é verdadeira.

A cidade tem data de nascimento e nome de padre

A fundação de Barueri remonta às missões jesuíticas do século XVI.

Segundo os historiadores, a origem da cidade é o aldeamento de Barueri, fundado em 11 de novembro de 1560 pelo padre José de Anchieta.

Ele ergueu, na margem direita do rio Tietê, pouco acima da confluência com o Rio Barueri Mirim, a Capela de Nossa Senhora da Escada — hoje padroeira do município.

Repare na data: 1560. Barueri é mais velha que quase tudo em volta dela. É contemporânea da fundação de Guarulhos e de Itaquaquecetuba, do mesmo movimento de aldeamentos de Anchieta.

Uma cidade que hoje é sinônimo de torre de vidro e sede de multinacional nasceu como uma capela de beira de rio.

Alphaville tem nome de filme francês

Esta é a curiosidade que mais surpreende quem trabalha lá todo dia.

Em 1973, um terreno de 500 hectares comprado em Barueri — a antiga Fazenda Tamboré — deu origem a um dos bairros mais conhecidos do Brasil.

Alphaville foi idealizado pelos engenheiros Yojiro Takaoka e Renato Albuquerque. A ideia era criar um bairro planejado de grandes proporções, com infraestrutura moderna, perto da Rodovia Castello Branco.

E o nome?

Veio de "Alphaville", filme francês de ficção científica de 1965, dirigido por Jean-Luc Godard.

O filme se passa numa cidade futurista controlada por um computador, onde emoção é proibida e poesia é crime.

Escolheram esse nome para um bairro residencial de luxo.

Não há registro claro de que os idealizadores tenham refletido sobre o enredo. Mas a coincidência é boa demais para não ser contada: o bairro mais planejado, mais controlado e mais murado da Grande São Paulo leva o nome de uma distopia sobre uma cidade planejada e controlada.

Três Baruerís numa cidade só

Quem só passa pela Castello Branco não percebe, mas Barueri é pelo menos três cidades diferentes.

Tem a Barueri corporativa das torres de vidro, dos escritórios e do trânsito de segunda de manhã.

Tem a Barueri residencial de condomínio fechado, com uma economia de serviços inteira girando em volta.

E tem a Barueri de bairro, com comércio de rua, mercado de esquina, oficina, salão, padaria — a cidade que existia antes de 1973 e que continua existindo.

Este guia organiza as três: o guia completo de Barueri, serviços e profissionais, bares e restaurantes, saúde e beleza e bem-estar.

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Cinco fatos para ganhar a discussão

  • O nome de Barueri não significa "flor vermelha que encanta".
  • Ele mistura uma palavra francesa (barreira) com uma indígena (rio encachoeirado).
  • A cidade nasceu de um aldeamento fundado por Anchieta em 11 de novembro de 1560.
  • A padroeira é Nossa Senhora da Escada.
  • Alphaville tem nome de filme de Jean-Luc Godard, de 1965.

Por que a lenda pegou

Vale pensar nisso por um segundo.

"Barreira que encachoeira o rio" é uma informação prática, de quem precisava atravessar água.

"Flor vermelha que encanta" é uma frase que qualquer prefeitura colocaria num folheto.

A segunda venceu porque é mais fácil de decorar e mais agradável de repetir. Não venceu porque é verdadeira.

É assim que quase toda lenda urbana funciona: ela não compete com o fato em precisão, compete em conveniência.

O que fica

Um padre jesuíta ergueu uma capela na margem de um rio em 1560. O nome do lugar dizia, com precisão, onde a água batia em pedra.

Quatrocentos e treze anos depois, dois engenheiros compraram uma fazenda ali perto e a batizaram com o nome de um filme sobre uma cidade sem alma.

Entre uma coisa e outra, Barueri virou uma das cidades mais ricas do estado.

E até hoje mistura pedra, corredeira e ficção científica no próprio nome — só que quase ninguém sabe.

BarueriAlphavilleHistóriaTupi-guarani

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